17.11.17

Eu, prematura me acuso!


Imagem | Pinterest

Hoje é dia do Prematuro.
Um dia que posso considerar um bocadinho meu!
 Nasci em Santarém a 17 de Março de 1980, precisamente 1 mês antes do previsto, com 1,950kg e 46cm.
Não era uma Prematura crítica, mas há 37 anos era tudo tão diferente que qualquer complicação se poderia revelar fatal.
Diz quem viu que me agarravam-me com a palma da mão, que era muito, muito pequena, que escorregava, que não conseguia mamar, que não tinha cabelo, não tinha sobrancelhas...
Os meus pais, a minha mãe com 19 anos e o meu pai com 24 anos, nunca duvidaram que me levariam para casa (e tinha tudo para correr tão mal!!).
Saí da incubadora directa para o mundo e nunca mais parei!
Eis-me aqui!! A prova viva!!
E por aí, há prematuros para contar a história?
Há histórias de filhos prematuros?
Venham daí essas partilhas.
Um beijo
M


15.11.17

Rapazes ou raparigas? Acho mesmo que só muda a cor!

Fotografia | Isabel Saldanha Fotografia

Ser mãe de rapazes - dos meus rapazes - é derreter-me com cada um deles.
É amar cada pedaço deles, é ficar embevecida a olhar para eles enquanto adormecem. É sorrir. Apenas, sorrir enquanto dormem.
Ser mãe dos meus rapazes é saber de cor cada lugar deles. É saber que hoje têm um sinal que não tinham ontem, que comeram peixe ao almoço porque transpiram e o cabelo deixa transparecer, é conhecê-los de trás para a frente, é conhecer-lhes o choro, é conhecer-lhes os poros, é amparar-lhes os passos.
Ser mãe é distinguir a cria de olhos fechados. É distinguir a cria pelo cheiro. É conhecê-los pelo tacto.
Ser mãe é acordar com um suspiro deles e quando um filho está doente, passar a noite de vigia (não vá a febre subir de repente) e fechar apenas os olhos para os descansar.
Ser mãe dos meus rapazes é saber de cor e salteado as personagens dos Manos Krats e dos Invizimals, é saber as músicas do Jake e os Piratas da Terra do Nunca e do Ruca e não ter vergonha de as cantar com eles alto e bom som. É pedir que se jogue à bola “apenas" no corredor, e ter sempre todas as almofadas da sala no chão a fazer de "forte" para o Invizimal Tigershark vs o Invizimal Darck Icelion.
Ser mãe é acordar – quase - todos os dias com miminhos e beijinhos doces e ter a certeza que cada dia é a prova viva de um trabalho árduo, mas bem feito.
Ser mãe de rapazes é ficar excitadíssima quando uma amiga tem uma menina para comprar coisas fofinhas!
Ter rapazes é constatar que têm praticamente todas as calças com buracos nos joelho e chegar a qualquer loja de criança e ter um cantinho de roupa para os rapazes e o resto da loja para rapariga.
Rapazes em casa é sinónimo de tampa da sanita para cima e ser atacada por um ninja em voo picado sempre que me baixo para apanhar alguma coisa do chão.
Ser mãe dos meus rapazes é ter dois defensores acérrimos, ciumentos que só visto, que elevam ao expoente máximo a teoria freudiana com o seu complexo de Édipo.
Ser mãe é ter esperança, é viver com a expectactiva no amanhã que há-de ser melhor, é pedir por eles, sofrer com eles, é acarinhá-los na doença, abraçá-los na alegria e dar-lhes bases para serem adultos bonitos e de bom coração. O resto, vem!
 Ser mãe de rapazes é, seguramente, tão bom quanto ser mãe de raparigas...
Acho mesmo que só muda a cor!
Um beijo
M.
Post adaptado, escrito e partilhado aqui a 18.12.2014 

6.11.17

Há dias...

Fotografia | M

... em que me sinto engolida pela preocupação e toldada pela incerteza das minhas decisões.

... que sinto na pele que a fisioterapia (que não faço!) me faz realmente bem.

... em que olho para os meus filhos e vejo neles a passagem do tempo.

... que percebo que as decisões não se tomam (só) com o coração.

... em que me apetecia apanhar sol numa esplanada.

... em que prefiro o silêncio à minha música preferida.

... em que não suporto saltos altos.

... em que me apetece viajar. Praga! Podia ser Praga!

... em que me apetece comida chinesa.

... em que não gosto de café, mas cuja simbiose com um pastel de nata faz milagres.

... me falta a paciência. Falta-me tanto a paciência!

...  em que escrevo e depois apago ou rasgo (ou simplesmente guardo) o rascunho que nunca irei publicar.

... em que tenho saudades de outros tempos. Nem melhores nem piores. Outros tempos. Os tempos com menos preocupações.

Há dias assim.

E hoje é o dia.


Um beijo
M.

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